5.3.06

Maison Silva


Ao folhear o nº1 de 2006 da revista da Faculdade de Medicina de Lisboa (FMUL), destinada à divulgação e publicação de artigos científicos, deparei-me a ler uma espécie de carta de despedida, intitulada Ontem, há 52 anos. Fiquei hirto como uma barra de ferro (não vos posso dizer em que região do corpo!). Ao conversar com alguns amigos desta faculdade, constatei que este tipo de "coisas" são frequentes, quando não é pior... sobretudo quando cada exemplar custa 5 euros! Quase que apetece dizer uma palavra vernácula. Começa assim: Despeço-me hoje da FMUL e dou hoje a minha lição. (...) parece que foi ontem...Mas foi há 52 anos que entrei nesta grande casa. Entrei eu, e comigo entrou a FMUL. Eu vinha de uma terra que então parecia distante e, que de repente, se fez tão perto. (são as autoestradas minha filha!) Eu vinha do Algarve. Terra da fruta e amêndoa. (e se ela fosse de Amarante? ...será que diria que vinha da terra do putedo do reinaldo teles?) (...) Eu era jovem e trazia uma ambição: licenciar-me em Medicina. (...) Aqui chegámos e nos sentimos perdidas e quase ignoradas (devias ser bonita, devias!) (...) Deixo agora esta casa... (parece a letra duma música da Ágata: vai-t'imbora, podes ficar com o carro, as jóias, mas não ficas com ele!) E termina com um poema de Eugénio de Andrade. Por reconhecido valor que esta senhora possa ter, não é assim que se faz... já pensaram no que seria se todos nós escrevessemos uma cartinha de despedida...lágrimas, é de ir às lágrimas... só faltou dizer que os pais foram operários na França e construíram uma moradia na terra com azulejos a dizer: Maison Silva! Poupem-me!



Comentado por Blogger Unknown à data de domingo, 05 março, 2006

É muito dificil...    



Comentado por Blogger Coelho Bravo à data de terça-feira, 07 março, 2006

C'est la pute de la vie.    



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